FAMOSOS QUE COMETERAM SUICÍDIO

O ciclo da vida nunca pára. Quase que de modo diretamente proporcional, a vida vai se desenvolvendo continuamente com seus estágios que passam do nascimento, crescimento, reprodução e morte. Aliás, esse último item é uma das poucas certezas que temos. No final das contas do pó viemos e ao pó voltaremos, só que muitas pessoas de certo modo optam por fugir de algum problema, ou por alguma doença, depressão e coisas do tipo e automaticamente alteram esse andamento natural dos ciclos da vida, dando um fim na sua própria existência física.

Essa prática é muito mais comum no ‘ showbiz ’ do que você imagina! Abaixo iremos listar algumas entre inúmeras personalidades que por seu próprio motivo pessoal, optaram por cometer suicídio e deixaram suas respectivas legiões de fãs e admiradores desolados. Quer ver? Então confira: ai:

Heath Ledger (1979 – 2008)

Abrimos nosso singelo apanhado de famosos que atentaram contra a vida, com o eterno coringa, Heath Ledger. O ator deu fim a sua existência ingerindo mais de sete tipos de medicamentos diferentes de uma só vez, o que ocasionou uma intoxicação aguda extremamente grave. O ator sofria de uma depressão, além de problemas de insonia e ansiedade excessiva.

Ingo Schwichtenberg (1965 – 1995)

O baterista da banda de heavy metal Helloween começou a ter problemas de esquizofrenia e de depressão provenientes da ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e drogas, o que de acordo com os outros membros remanescentes da banda na época, ajudaram a culminar no suicídio do musicista. Ingo resolveu tirar sua vida na estação de Friedrichsberg, na cidade alemã de Hamburgo, ao se jogar nas carruagens de lá.

Kurt Cobain (1967 – 1994)

Kurt Cobain era o líder do Nirvana. E cometeu o suicidou com um tiro na cabeça. Uma grande perda que assolou o mundo da música no ano de 1994. O eterno vocalista do Nirvana, um dos maiores propagadores da música grunge, sofria depressão profunda e era usuário assíduo de drogas pesadas, entre elas a heroína.

Marilyn Monroe (1926 – 1962)

Marilyn Monroe , ícone máximo do fim da década de 50 e 60, musa inspiradora até mesmo de movimentos culturais e artísticos como a pop – art, ícone fashion , mulher de Hollywood referência para todas as mulheres de sua época, morreu aos 36 anos de idade. Resolveu por fim a sua vida ao tomar uma dose muito alta de barbitúricos no triste verão de 1962.

Ruslana Korshunova (1987 – 2008)

Ao atirar-se de um prédio de Manhattan, em Nova Iork a modelo russa Ruslana Korshunova , aparentemente não encontrava mais sentidos para a sua existência. E no alto de seus 20 aninhos, a bela modelo atentou contra sua vida prematuramente. Korshunova foi enterrada em Moscou, capital russa.

Anna Nicole Smith (1967 – 2007)

Anna Nicole Smith , uma das mais famosas coelhinhas da Playboy, se suicidou aos 39 anos, ao que tudo indica, em consequência de uma overdose de sedativos prescritos.

Alexander McQueen (1969 – 2010)

O estilista famoso internacionalmente e conhecido por suas criações excêntricas e extravagantes, suicidou-se aos 40 anos através de um enforcamento em sua própria casa no dia 11 de fevereiro do ano de 2010, nas vésperas do enterro de sua mãe. Triste!

Leila Lopes (1959 – 2009)

Em dezembro de 2009, a ex-global foi encontrada morta em seu apartamento no bairro do Morumbi. A atriz sofria de depressão e deu fim a sua vida ao ingerir uma quantidade significativa de veneno para rato. Uma de suas atuações de sucesso foi como professora na novela da rede Globo, O Rei do Gado.

Ian Curtis (1956 – 1980)

O vocalista do Joy Division , retirou sua própria vida no ano de 1980 quando o músico tinha apenas 23 anos. Ele era epilético e a rotina lotada dos shows da banda, complicaram ainda mais seu caso clínico. Certo dia ele exagerou nas doses de seus remédios prescritos e foi encontrado enforcado. Triste fim!

Sigmund Freud (1856 – 1939)

Médico austríaco, apontado como o precursor da psicanálise, gostava de apreciar um bom charuto nas suas consultas, um muito mau hábito: ele contraiu um cancro na garganta. Apesar de mais de 30 operações muito dolorosas, ele escolhe a morte ao sofrimento e opta pela eutanásia feita por um médico amigo em 1939 com a idade de 83 anos.

Achille Zavatta (1915 – 1993)

Homem de circo, um palhaço famoso, praticava acrobacias, exercícios de equitação, música (tocava trompete, saxofone e bateria). O artista sofria de infecções renais graves e perda progressiva da visão. Desgastado pelo trabalho e oprimido por dificuldades financeiras devido à empresa, Zavatta torna-se um palhaço triste e vende em 1992 o circo que ele criou em 1978. Em 16 Novembro de 1993, o palhaço Zavatta deu-se um tiro na cabeça a idade de 78 anos, pouco antes do amanhecer, incapaz de suportar a vida com a diálise.

Robin Williams (1951 – 2014)

O ator que fez filmes de sucesso como: “Uma Babá quase perfeita”, “Gênio Indomável” e “Sociedade dos Poetas Mortos” e tinha um carreira grandiosa nos cinemas foi encontrado morto em sua casa. Ele morreu aos 67 anos de idade em 2014 por enforcamento. Muitos acreditam que a principal causa foi a depressão, mas a sua mulher revelou que ele sofria de demência de corpos de Lewy (DCL), doença que causa vários sintomas como aumento exagerado da ansiedade e alucinações.

Nos cinco meses subsequentes à morte do ator, houve 10% mais casos que o esperado para o período. Os pesquisadores que analisaram os efeitos da morte de Williams coletaram dados mensais de suicídios registrados pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) entre 1999 e dezembro de 2015, para verificar se houve alguma alta inesperada em determinado período.

Eles perceberam que 18.690 pessoas tiraram a própria vida entre agosto e dezembro de 2014, quando 16.849 casos eram esperados com base na série histórica. Ou seja, houve 1.841 suicídios a mais que o previsto. O risco potencial de pessoas copiarem personalidades que se suicidam já é conhecido de autoridades de saúde pública. Não é possível dizer com certeza, pela pesquisa, se a morte de Robin Williams foi o que provocou o aumento dos suicídios, mas os fatos parecem ter alguma conexão.

Champignon (1992 – 2005)

O músico da banda Charlie Brown Junior morreu pouco tempo depois que seu amigo e companheiro de banda, Chorão, faleceu devido a uma overdose de cocaína. Ele deu um tiro na sua própria boca e chocou o Brasil inteiro com a notícia da sua morte.

Cory Monteith (1982 – 2013)

O ator canadense foi encontrado morto em um quarto de hotel, no dia 13 de julho de 2013. Ele, que tinha 31 anos e fez sucesso na série ‘Glee’, cometeu suicídio e deixou seus fãs sem entender que aconteceu direito.

Lucy Gordon (1980 – 2009)

A atriz britânica Lucy Gordon (1980 – 2009) foi encontrada morta em seu apartamento dois dias antes de completar 29 anos. Antes de cometer o seu próprio enforcamento, Lucy deixou uma carta escrita à mão sobre como queria dividir seu patrimônio e pediu que US$ 10 mil (R$ 17,7 mil) fossem colocados em um fundo de confiança “para cuidar financeiramente de minha cadela Meelon para o fim de seus dias”. A atriz ficou conhecida por sua participação em filmes como “Honra e coragem – As quatro plumas” (2002), “Bonecas russas” (2005) e “Homem-aranha 3” (2007).

Walmor Chagas (1930 – 2013)

Ator, autor, diretor e com muitas facetas, Walmor era considerado um artista completo. Ele fez mais de 30 novelas em sua carreira vasta. Chagas também teria importância no cinema e no teatro brasileiro, mas em 2013 ele colocou fim à própria vida. O ator deu um tiro na própria cabeça enquanto estava sentado na sala de casa. Ele estaria com uma doença terminal.

Alberto Santos Dumont (1873 – 1932)

Tido no Brasil como o inventor do avião, ele desenvolveu a forma crônica da doença depois que aeronaves começaram a ser utilizadas em bombardeios. Historiadores dizem que, além de depressão, o aviador sofria de esclerose múltipla. Com o agravamento do quadro, ele foi se isolando até que em 1932, enforcou-se com uma gravata em um hotel de São Paulo.

Hannah Bond (1995 – 2008)

Uma menina emo de 13 anos suicidou-se em seu quarto, depois de duas semanas de aderir ao estilo emo. Ela era fã de “My Chemical Romance” e supostamente estava obcecada com o disco “The Black Parade” e com a morte. Começou a se cortar e a encher suas páginas da internet com fotos de garotas com as veias cortadas ou ursinhos rosados pendurados pelo pescoço cheios de sangue. Enforcou-se com uma gravata para impressionar seus amigos. A jovem deixou uma nota suicida na qual empregou o pseudônimo “Desastre vivente”. Ao regressar da casa de um amigo, Hannah Bond disse a seus pais que queria se matar, que lhe responderam “Larga mão de ser boba menina” . A adolescente foi encontrada pendurada em uma beliche uma hora após sua advertência.

Dolores O ’ Riordan (1971 – 2018)

A vocalista do Cranberries – Dolores O’Riordan morreu por overdose no dia 15 de Janeiro de acordo com fonte da Polícia de Londres, segundo publicado no Santa Monica Observer. As autoridades encontraram a droga perto da cama da vocalista de 46 anos. O Fentanil do Acetil é um analgésico do opiáceo de 5 a 15 vezes mais forte do que a heroína. Suspeitas recaem sobre suicídio por overdose deliberada.

Anthony Bourdain (1956 – 2018)

O apresentador de TV norte-americano e chef de cozinha Anthony Bourdain , estrela do programa de culinária e viagem da CNN “Parts Unknown”, se enforcou em um quarto de hotel, no segundo suicídio de uma celebridade norte-americana na mesma semana. Bourdain , que tinha 61 anos, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Estrasburgo, na França, onde estava trabalhando em um próximo episódio para seu programa, disse um representante da CNN em comunicado.

Kate Spade (1962 – 2018)

A morte de Bourdain acontece três dias depois da estilista norte-americana Kate Spade (1962 – 2018), que construiu um império da moda com suas bolsas, ter sido encontrada morta em seu apartamento em Nova York, após suicídio. Os índices de suicídio cresceram em quase todos os Estados norte-americanos de 1999 a 2016, de acordo com dados divulgados pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA logo após estes dois casos.

Michael James Marin (1958 – 2012)


Foi um financista americano, advogado, ex- comerciante de Wall Street e milionário. Ele foi julgado por incêndio criminoso e ter incendiado sua própria casa, avaliada em 3,5 milhões de dólares para receber o seguro completo. Audiências judiciais iniciadas em 21 de maio de 2012, o levaram a condenação a décadas de prisão. Logo depois de ouvir a condenação em 28 de junho de 2012 e saber que seria detido imediatamente após a audiência, ele cometeu suicídio no tribunal.

POR QUE HÁ MUITO SUICÍDIO ENTRE JOVENS NO JAPÃO?

Muitas pessoas sabem que o suicídio é um dos grandes problemas sociais do Japão e envolve com bastante frequência crianças e adolescentes. É muito comum ver no noticiário casos de jovens que pularam de prédios, se jogaram na frente de trens ou foram encontrados enforcados dentro de casa.

A frequência é abominável e o suicídio de menores tem o seu pico anualmente em datas especiais. O governo japonês divulgou uma análise sobre 18 mil suicídios de menores de 18 anos, ocorridos entre os 1972 e 2013. O total de mortes nessas quatro décadas se mostrou maior nos dias 8 e 11 de abril, 30 de agosto, 1 e 2 de setembro.

Todas essas datas registraram mais de 90 mortes, com um destaque ao dia 1° de setembro, que totalizou 131 mortes nos 41 anos analisados.
O que essas datas têm em comum?

Quem conhece o sistema japonês já deve ter adivinhado: são os dias em que acabam as férias escolares e começam as aulas. Para muitos jovens que sofrem com problemas nas relações dentro da escola ou bullying , o período de férias é o momento de se livrar de tudo e quando acaba, o retorno à escola se torna assustador. Só no mês passado houve três suicídios de estudantes e uma tentativa falha, em três dias. Adivinhem quais? Isso mesmo, de 30 de agosto a 1° de setembro.

O que é algo extremamente triste e contrário ao que a escola deveria significar para o aluno. Ao invés de ser um local para construir amizades, aprender e desenvolver um papel social, a instituição se torna um verdadeiro inferno. O ambiente escolar pode ser uma terra sem lei, onde aqueles que demonstram fraqueza são humilhados e quem deveria impedir os abusos fecha olhos e ouvidos.

O tema suicídio no Japão sempre me intrigou, embora o problema não seja exclusivo da terra do sushi. O Brasil também possui elevados casos de suicídio, só que estão bem mais ocultos e um tabu na sociedade.

Curta – metragem de animação, produzido por Hannah Grace em 2016, que reproduz o que passou quando tentou suicídio.

Referências:

Canal de Stevie Cutts;
Assista aqui o vídeo completo de Hannah Grace;
Assista aqui o vídeo completo do canal Alexandrismos .

A DOR DE QUEM CARREGA A LEMBRANÇA DE UM SUICÍDIO

• J. C. M. N., 25, motoboy, (RN)

“Meu irmão Paulo Vitor se matou quando tinha 25 anos. Era casado e trabalhava como técnico em informática. Foi no dia 1º de julho de 2009. Sabíamos que ele tinha depressão, mas já havia sido tratado. Um dia, ele saiu de moto como se fosse trabalhar. No meio do caminho, ligou para minha mãe e meu pai chorando, avisando que ia pular da ponte Milton Navarro (atração turística de Natal, sobre o rio Potengi). Ligou também para a polícia, avisando onde deixaria a moto e o capacete. Soube pela minha cunhada, que era mulher dele na época. Fiquei desnorteado, sem saber o que fazer. Andava pela casa e ficava pensando nos meus pais. Acho que todo mundo se sentiu um pouco culpado. Por que deixamos ele sair? Ele era estudioso e trabalhador. Cursou Filosofia na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Vivia me dando conselhos: não beba demais, não use drogas, estude, tenha um trabalho. Hoje, não sou muito de falar sobre isso, pois é doloroso. Lembro dele e tenho muita saudade, pois ele cuidava de mim. Na virada do ano, minha mãe estava aqui em casa e quando me abraçou para desejar feliz Ano-Novo, falou: ‘Tenho tanta saudade do seu irmão’. Disse para ela ter um pouco de paciência, pois um dia, todos vamos nos encontrar de novo.”

• K. M. de F. A., 58, aposentada, Rio de Janeiro (RJ)

“Meu filho Daniel tinha 25 anos quando se matou em casa com um tiro, no dia 23 de agosto de 2001. Morávamos eu, meu marido (hoje ex), minha filha de 15 anos e minha avó de 88 anos. O Daniel era fruto de um casamento anterior, mas foi criado pelo meu segundo marido, pois o pai biológico dele sempre foi ausente. Éramos uma família feliz. Daniel, no entanto, já havia tentado o suicídio antes, ingerindo remédios. Apesar de ser deprimido desde a infância, estava passando por acompanhamento com uma psicóloga e uma psiquiatra. Além disso, era recém-formado em Psicologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Isso nos dava uma falsa tranquilidade. Na hora em que meu marido ligou para avisar o que tinha acontecido, tive forças para tomar um calmante e consegui chegar em casa. Meu corpo ficou sem coordenação, como se eu tivesse tido um AVC. Do meu emocional, não sobrou nada. Nessa situação, você não encontra saída, pois a morte é a única coisa que não tem volta. Nos primeiros meses, às vezes, eu dava com a cabeça na parede de tanto desespero. Tive muito apoio dos meus irmãos, do meu cunhado, dos professores e dos colegas do curso de Direito que eu fazia. Eles não deixaram que eu trancasse a faculdade e me formei no final de 2001. Minha filha amadureceu dez anos em um com a perda e o trauma. Foi ela quem encontrou o irmão após o acontecido. Hoje, depois de mais de 14 anos, tenho momentos de alegria, mas a angústia da falta nunca passou. Perder um filho é perder a continuidade da sua família, perder todos os descendentes que poderiam vir, é perder o futuro, os netos e os bisnetos. Acho que o tabu a respeito do suicídio começa quando se fala em doença mental. No entanto, são problemas que acontecem em quase todas as famílias”.

• P. F., 44, empresária, Rio de Janeiro (RJ)

“Perdi meu pai Jorge há 20 anos, quando ele tinha 52 e eu 24. Ele foi até a casa da mãe dele, que havia falecido uns seis meses antes, ligou o gás do forno e fechou a cozinha. Ele era uma pessoa amorosa, presente, benquista por todos. Não era aparentemente depressivo, mas não falava muito sobre as próprias emoções, era reservado. Em 1995, me casei e fui morar em Santa Catarina. Três dias depois, recebi por telefone a informação de que ele tinha falecido. Por algum motivo, pude sentir isso. Meu ex-marido atendeu e perguntei para ele: ‘Meu pai morreu, não?’. Depois, soube pela minha mãe que, três dias antes do suicídio, ele estava mais recolhido, deitado e sem vontade de sair do quarto. Na noite em que tirou a própria vida, chegou a ligar para dois tios meus. Um deles era mais próximo, mas não pôde atendê-lo naquele momento. Jamais saberemos se a ligação era um pedido de ajuda. Eu me lembro de que no início tinha vergonha de falar a verdade na cidade pequena onde morava. Dizia que meu pai teve um infarto fulminante. Chorava dia e noite, foi muito difícil aceitar. Um dia, meu ex-marido falou: ‘O que posso fazer para não te ver triste desse jeito?’. E eu respondi: ‘Só queria dez minutos com meu pai, para dar um beijo nele e abraçá-lo’. Nesse dia, fui dormir chorando e sonhei com ele. Cerca de um ano depois, em uma noite de tristeza profunda, vi na TV uma propaganda do CVV (Centro de Valorização da Vida), entidade que oferece serviço gratuito de apoio emocional, feito por voluntários. Liguei e foi um alívio. Finalmente, falava com alguém que me ouvia de maneira neutra, carinhosa e respeitosa, sem me vitimizar, nem julgar. Alguns dias depois, voltei para o Rio e acabei me tornando voluntária também.”

SUICIDIO: ATENÇÃO AOS SINAIS

Alterações significativas na personalidade ou nos hábitos;

Alterações súbitas de comportamento, como quedas de notas, mudanças de personalidade ou ações rebeldes, também podem ser sinais de aviso;

Comportamento ansioso, agitado ou deprimido;

• Queda no rendimento escolar;

Afastamento da família e de amigos;

• Mostrar tristeza excessiva e isolamento;

• Estar frequentemente triste e sem vontade para participar em atividades com os amigos ou fazer o que se fazia antigamente são alguns sintomas de depressão, que quando não tratada é uma das principais causas do suicídio;

• Normalmente, a pessoa não consegue identificar que está com depressão e acha apenas que não está sendo capaz de lidar com as outras pessoas ou com o trabalho, o que ao longo do tempo deixa a pessoa desanimada e sem vontade para viver;

• Perda de interesse por atividades de que gostava; • Descuido com a aparência;

• Além disso, como na maioria das vezes já não existe interesse pela vida, é comum que se deixe de dar atenção para a forma como se veste ou se cuida, utilizando roupa velha, suja ou deixando crescer o cabelo e a barba;

• Perda ou ganho repentinos de peso;

Mudança no padrão usual de sono;

• Comentários auto-depreciativos recorrentes ou negativos e desesperançosos em relação ao futuro;

Disforia (combinação de tristeza, irritabilidade e acessos de raiva);

• Comentários sobre morte, sobre pessoas que morreram e interesse pelo assunto;

• Doação de pertences que valorizava;

Expressão clara ou velada de querer morrer ou de pôr fim à vida;

• Demonstrar calma repentina;

• Demonstrar um comportamento calmo e despreocupado depois de um período de grande tristeza, depressão ou ansiedade, pode ser um sinal de que a pessoa está pensando e decidida pelo suicídio. Isso acontece porque a pessoa pensa ter encontrado a solução para o seu problema, deixando de se sentir tão preocupada;

• Muitas vezes, esses períodos de calma pode ser interpretados pelos familiares como a fase de recuperação da depressão e por isso, podem ser difíceis de identificar, devendo ser sempre avaliados por um psicólogo, para garantir que não existem ideias suicidas;

• Fazer ameaças de suicídio;

• A maior parte das pessoas que estão pensando em suicídio irão informar um amigo ou familiar das suas intenções. Embora esse comportamento muitas vezes seja visto como uma forma de chamar a atenção, nunca deve ser ignorado, especialmente se a pessoa está vivendo uma fase de depressão ou de grandes alterações na sua vida;

• Existe um mito de que pessoas que falam em suicídio só o fazem para chamar a atenção e não pretendem de fato terminar com suas vidas. “ Isso não é verdade, falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda ”;

• Algumas das frases mais comuns ouvidas por ela foram “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer”. Então, se você ouvir um parente ou amigo falando algo do tipo, preste atenção;

• Os progenitores têm de estar atentos, prevenidos e acautelados, sobretudo se o jovem tem conduta autodestrutiva, fica dizendo que não vale nada ou que é um peso para os outros, e que preferia estar morto;

Estudos e pesquisas já demonstraram que evidências irrefutáveis de muitos dos jovens que se suicidaram deixaram inúmeras pistas. Já haviam mencionado a uma ou mais pessoas que eles ou os outros estariam “melhor se estivessem mortos”. É um tipo de comentário que não deve ser ignorado;

• Desenhos ou pinturas de morte;

• Comportamento perigoso ou autodestrutivo;

Comportamentos potencialmente perigosos, como dirigir de forma imprudente, praticar sexo inseguro e aumentar o uso de drogas e / ou álcool podem indicar que a pessoa não valoriza mais sua vida.

[…]

É POSSIVEL PREVINIR O SUICÍDIO?

As táticas eficientes para prevenir o suicídio incluem o aperfeiçoamento da aptidão social e emocional dos jovens, tais como solucionar problemas, tomar decisões, lidar com a raiva, resolver conflitos e comunicar-se sem medo de se afirmar. Os pais têm os meios para ajudar os adolescentes a desenvolverem essas características e habilidades, como por exemplo:

1- Demonstrar que confiam no filho, fazendo-o participar das decisões em família.

2- Nutrir um relacionamento tranquilo e equilibrado, ensinando ao jovem por meio de exemplos concretos, como lidar com a fúria.

3- Difundir-se abertamente, procurando resolver os problemas em conjunto.

4- Oferecer oportunidade e incentivar o jovem a expressar suas opiniões e considerar as alternativas antes de tomar uma deliberação.

5- Afirmar-lhe que é importante, amado e levado a sério.

6- Garantir-lhe formalmente que nada vai afetar o amor e a aprovação paterna.

7- Buscar oportunidades para ensinar ao jovem como lidar com decepções e “fracassos.

[…]

CVV – CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA

Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação) ou 141 (nos estados da Bahia, Maranhão, Pará e Paraná), pessoalmente (nos 89 postos de atendimento) ou pelo site http://www.cvv.org.br, por do chat e e-mail. Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 2.400 voluntários, localizados em 19 estados mais o Distrito Federal.

Além dos atendimentos, o CVV desenvolve em todo o país, outras atividades relacionadas a apoio emocional, com ações abertas à comunidade que estimulam o autoconhecimento e melhor convivência em grupo e consigo mesmo. A instituição também mantém o “Hospital Francisca Julia” que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química em São José dos Campos-SP.

O CVV Comunidade disponibiliza diversas ferramentas para a sociedade: Grupos de Apoio aos Sobrevivente de Suicídio (GASS), destinado a pessoas próximas de alguém que cometeu o suicídio e àquelas que tentaram o suicídio; Caminho de Renovação Contínua (CRC), para reflexão e troca de experiências, Cine-SER CVV, exibição de filmes com comentários e reflexões, Curso Caminho de Valorização da Vida, no qual se busca o autoconhecimento por meio do compartilhamento de vivências do dia-a- dia, com dez encontros de duas horas cada; e Curso de Escutatória, que visa aprimorar as habilidades em ver, ouvir, falar e compreender, com foco no CVV Comunidade, incluindo palestras sobre vários temas, Semana de Valorização da Vida, eventos na comunidade (Sipat, Ações Globais, etc).

Para acompanhar os próximos eventos e grupos já existentes: CVV Comunidade Brasil ou escreva para cvvcomunidade@cvv.org.br. Caso queira mais informações sobre o tema: atendimento pessoal.

[…]

E SE A PESSOA NOS DISSER QUE QUER COMETER SUICÍDIO?

Pergunte de volta como pode ajudar. É muito equivocado achar que quem tenta se matar está querendo só chamar atenção. Aliás, é ótimo que eles chamem atenção. Prejudicial é tratar com desprezo. Se você não der atenção agora, vai se sentir culpado mais tarde por não ter atendido ao chamado de um ente querido. O que você mais ouve de quem quer se matar?

“ Eu não vou aguentar se algo acontecer ”. “ Se eu fracassar, não vou suportar” Ela começa a antecipar tudo o que ela imagina que de pior vai acontecer, porque não sabe lidar com situações de fracasso. Diante do desespero, num ato impulsivo, ela tenta o suicídio. Leve ameaças a sério.

Um dos grandes mitos sobre o suicídio está em pensar que quem vai se matar não dá sinais. Se alguém chega ao ponto de dizer algo do gênero, é porque tem algo errado. Portanto, diante de uma ameaça, coloque-se à disposição para ajudar essa pessoa. Não guarde segredos Principalmente entre os adolescentes, é comum que a pessoa que pensa em tirar a própria vida desabafe e peça segredo. Para ajudar a prevenir, o indicado é não se calar diante de uma ameaça de suicídio.

É preciso entender que, ao dividir o assunto com um adulto de confiança, por exemplo, você não estará expondo a pessoa, mas ajudando-a a sair da melhor forma da situação. No caso de adultos que receberem uma notícia como essa, o ideal é procurar um familiar que possa ajudar de maneira efetiva a encontrar um caminho.

Seja um bom ouvinte. Quando o assunto é suicídio e você se coloca à disposição para ajudar, o ponto principal é ouvir sem criticar e julgar. Eliane diz que quando o suicida tem a oportunidade de desabafar e sinalizar o sofrimento, a probabilidade de cometer o ato diminui. Deixe a pessoa falar o que sente.

COMUNICAÇÃO

Outra dificuldade é falar do assunto com jovens. Muitas vezes, estratégias que funcionam com adultos não têm o mesmo resultado quando usadas com adolescentes – e entre as peculiaridades desse grupo, está a forma como usa a internet e as redes sociais.

“ E a queixa da falta de escuta por parte de amigos e familiares tem sido cada vez maior entre jovens. Enquanto cresce a facilidade de se expor na internet de maneira superficial, aumenta na mesma proporção a dificuldade de comunicação real e s é ria. A gente ouve com muita frequência: ‘ Vou contar uma coisa que nunca disse a ninguém ”. A garantia de sigilo contribui muito para a confiança de pessoas de todas as idades que procuram auxílio do CVV.

[…]

SUICÍDIO É HEREDITÁRIO?

Não, o suicídio não corre nas veias. Só que existem modelos de repetição de enfrentamento que são prejudiciais, é o que a gente chama de “transmissão psíquica geracional familiar”. Alguns comportamentos tóxicos da família se repetem. Se a gente não tiver plena atenção, entra num círculo vicioso. Cabe a cada um construir novas modalidades de responder às adversidades da vida.

EXISTEM CULPADOS?

De jeito nenhum. Como diz o filósofo Jean – Paul Sartre , “ nós somos aquilo que nós fazemos com o que o outro faz da gente ”. E esse foi um dos grandes problemas da série “13 Reasons Why”. A personagem principal fica culpando os outros por suas escolhas erradas e em nenhum momento exercitou a capacidade de enfrentamento. Mais grave ainda foi mostrar a maneira como ela se matou. Isso é grave.

PREVENÇÃO

De acordo com a OMS, é possível prevenir 90% dos casos se houver condições de oferecer ajuda. E, diferentemente do que apregoa o senso comum, discutir o problema é uma boa estratégia para combatê-lo.

O medo do chamado ‘ efeito Werther ’ , referência ao livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, publicado em 1774, costuma empurrar o assunto para debaixo do tapete. No enredo, o personagem dá fim à própria vida após uma desilusão. A novela teria originado um surto de suicídios de jovens em diversos locais da Europa.

PAIS

Assim, os pais podem (e devem!) falar sobre o assunto. Se não aparecer espontaneamente, ele pode ser introduzido de modo a deixar claro que certas coisas acontecem e que devemos conversar sobre elas. É possível dizer frases como: “ Algumas vezes, quando nos sentimos mal, pensamos que seria melhor não ter nascido ou que seria preferível morrer. Você
j teve pensamentos desse tipo? ”.

É fundamental ouvir com atenção e respeito, sem julgamento ou censura e sem preleções morais ou religiosas. O importante é reafirmar a preocupação e o desejo de conversar e ajudar, mesmo que isso implique tocar em assuntos delicados. “ O adolescente deve ser acolhido, receber proteção e apoio e n ã o castigo ”. “É preciso respeitar a dor do outro. Muitas vezes, podemos achar a motivação banal ou desimportante, mas cada um sente e se angustia com as coisas de forma particular ”, continua.

Mesmo os casos que indicam baixa letalidade, como cortes superficiais na pele, automutilação, podem sugerir a ocorrência de tentativas futuras. “ Não se deve banalizar ou julgar a tentativa como recurso para chamar a atenção. Na vida conturbada de um adolescente, o ato precisa ser tomado como um marco a partir do qual se iniciam ações destinadas à proteção e à qualidade de sua vida, incluídas as de saúde mental ”, argumenta Botega . Após uma conversa, os pais devem avaliar se é o caso de encaminhar o filho a um profissional.

[…]

Por que as redes sociais estão levando jovens a cometerem suicídio?

Jovens de 15 a 29 anos estão se matando mais. O assunto que ainda é tabu nas famílias, escolas e rodas de conversas informais cresce a passos lentos, mas de forma constante no Brasil. Segundo o “Mapa da Violência” divulgado em abril, entre 1980 e 2014, houve um aumento de 27,2% no número de suicídios dessa faixa etária. E chegando ao final de 2017, ano em que passamos pela “Baleia Azul” e séries como “13 Reasons To Why”, que trouxeram à tona o tema na esfera adolescente, a questão que fica é: por que pessoas que estão começando a vida querem acabar com ela?

Entre as causas e consequências do afastamento humano, está a tecnologia, que influencia fortemente a maneira como nos relacionamos. A terapeuta ocupacional e pós-doutora em saúde coletiva Fernanda Marquetti acredita que o suicídio é um produto do que acontece socialmente dentro de uma cultura. Se estamos tão tecnológicos, pode estar aí a resposta das mortes.

“Claro que esses jovens não estão se matando porque todos começaram a ter transtornos psiquiátricos. O mundo caminha para um esvaziamento cada vez mais profundo das relações, os adolescentes não conseguem se relacionar fora do mundo digital. As tentativas e os suicídios aparecem como expressões máximas dessa dificuldade“, fala a professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Se essa geração nasceu com a tecnologia e o contato é inevitável, precisamos de educação para lidar da melhor forma com ela. “ Estudos mostram que a busca pelo ‘ like ’ é tão viciante como droga, principalmente para o cérebro em formação, como é o caso do jovem até os 21 anos. E eles são menos capazes de racionalizar. Não é que todos sejam inconsequentes, mas há uma impulsividade maior “, afirma psicoterapeuta Karen Scavacini.

AUTOMUTILAÇÃO DIGITAL

A tendência entre jovens americanos de postar e compartilhar nas redes sociais mensagens abusivas sobre si mesmo de forma anônima já é preocupação para os especialistas no Brasil. Em um estudo recente com mais de 5 mil estudantes nos Estados Unidos, com idades de 12 a 17 anos, um em cada vinte revelou ter praticado a automutilação digital.
“ Eles n ã o encontram o próprio lugar, precisam lidar com pressões sociais, rankings escolares … .. E o jovem não questiona o que v ê nas redes sociais. Quanto mais horas ele passa ali, vendo vidas perfeitas, maior a chance de depressão e suicídio. Fora a falta de interação, exercício físico, programas em família “, fala Karen .

Se você está lendo e pensando “que frescura”, o exercício deve ser o oposto. Tente se lembrar dos conflitos que você teve durante a adolescência.
“ Não é para culpar alguém. Quando uma pessoa se mata, ninguém é responsável. Mas precisamos pensar que se relacionar por mensagem é muito pouco para sustentar uma vida. E são os adultos – que também estão influenciados por esse meio de viver – que precisam reverter essa forma de relacionamento “, argumenta Fernanda Marquetti . A rede vem sendo palco para grupos que não só romantizam o suicídio, mas exortam jovens a cometê-lo, usando a falsa ideia do desafio.

FALTA DE SENTIDO DE VIDA


“ Suicídio é a concretização da falta de sentido da vida, é o ápice de um processo de ‘ morrência ’ . Ele costuma ser cometido por alguém que est á definhando existencialmente, que deixou de acreditar em sua própria capacidade, como ser humano, de transformar a dor em amor ”.

DEPRESSÃO

A depressão é um fator comum aos suicidas? Não necessariamente uma pessoa que se mata é deprimida, apesar de existirem vários casos de pessoas que tinham depressão e se mataram. Quando isso acontece, é que elas perderam o sentido de viver.

GRUPOS DE VULNERABILIDADE

A comunidade LGBT, as vítimas de violência doméstica e aqueles diagnosticados com doenças mentais. Ou seja, grupos que não têm suas dores legitimadas nem espaço para expor suas vozes e se defenderem.

PRESSÃO

Entre os jovens que cometem suicídio, está o grupo que tem de 15 a 24 anos. “É um período que inclui adolescência, problemas amorosos, entrada na faculdade, pressão social pelo sucesso … Depois dos 25 anos, j á
é um jovem adulto, as preocupações mudam.”

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FELIPE NETO FALA SOBRE DEPRESSÃO E SUICÍDIO

O youtuber Felipe Neto, que há 10 anos foi diagnosticado com depressão, fala como é passar por esse desafio, como ele mesmo diz, “Depressão é o mal do século no mundo inteiro. A sua dor é legítima. O seu sofrimento é real e legítimo. Ninguém pode dizer que não é”.

O digital influencer fala abertamente sobre seus desafios com a depressão, e dá amparo a todos aqueles que passam por essa situação, além de tratar seriamente do assunto, ele ainda responde comentários a respeito. Para assistir ao vídeo abaixo:

Atendimento Psicológico grátis ou de baixo custo: http://bit.ly/2oiatrx

Se você é aquela pessoa que sofre com depressão e com pensamentos suicidas, não sofra sozinho e calado, procure ajuda! Ligue no 141 ou 188 para encontrar ajuda.

Se você é aquela pessoa de banaliza a dor e o sofrimento de outras pessoas, o que você acha de fazer uma visitinha àquelas instituições que fazem atendimento e acompanhamento psicológico e psiquiátricos a pacientes nessa situação, como o CVV (Centro de Valorização a Vida) mais próximo de sua casa, e saiba como e realizado o atendimento, e encare essa doença como ela precisa ser encarada, como ASSUNTO SÉRIO!

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