Muitas pessoas sabem que o suicídio é um dos grandes problemas sociais do Japão e envolve com bastante frequência crianças e adolescentes. É muito comum ver no noticiário casos de jovens que pularam de prédios, se jogaram na frente de trens ou foram encontrados enforcados dentro de casa.
A frequência é abominável e o suicídio de menores tem o seu pico anualmente em datas especiais. O governo japonês divulgou uma análise sobre 18 mil suicídios de menores de 18 anos, ocorridos entre os 1972 e 2013. O total de mortes nessas quatro décadas se mostrou maior nos dias 8 e 11 de abril, 30 de agosto, 1 e 2 de setembro.
Todas essas datas registraram mais de 90 mortes, com um destaque ao dia 1° de setembro, que totalizou 131 mortes nos 41 anos analisados. O que essas datas têm em comum?
Quem conhece o sistema japonês já deve ter adivinhado: são os dias em que acabam as férias escolares e começam as aulas. Para muitos jovens que sofrem com problemas nas relações dentro da escola ou bullying , o período de férias é o momento de se livrar de tudo e quando acaba, o retorno à escola se torna assustador. Só no mês passado houve três suicídios de estudantes e uma tentativa falha, em três dias. Adivinhem quais? Isso mesmo, de 30 de agosto a 1° de setembro.
O que é algo extremamente triste e contrário ao que a escola deveria significar para o aluno. Ao invés de ser um local para construir amizades, aprender e desenvolver um papel social, a instituição se torna um verdadeiro inferno. O ambiente escolar pode ser uma terra sem lei, onde aqueles que demonstram fraqueza são humilhados e quem deveria impedir os abusos fecha olhos e ouvidos.
O tema suicídio no Japão sempre me intrigou, embora o problema não seja exclusivo da terra do sushi. O Brasil também possui elevados casos de suicídio, só que estão bem mais ocultos e um tabu na sociedade.
Curta – metragem de animação, produzido por Hannah Grace em 2016, que reproduz o que passou quando tentou suicídio.
“Meu irmão Paulo Vitor se matou quando tinha 25 anos. Era casado e trabalhava como técnico em informática. Foi no dia 1º de julho de 2009. Sabíamos que ele tinha depressão, mas já havia sido tratado. Um dia, ele saiu de moto como se fosse trabalhar. No meio do caminho, ligou para minha mãe e meu pai chorando, avisando que ia pular da ponte Milton Navarro (atração turística de Natal, sobre o rio Potengi). Ligou também para a polícia, avisando onde deixaria a moto e o capacete. Soube pela minha cunhada, que era mulher dele na época. Fiquei desnorteado, sem saber o que fazer. Andava pela casa e ficava pensando nos meus pais. Acho que todo mundo se sentiu um pouco culpado. Por que deixamos ele sair? Ele era estudioso e trabalhador. Cursou Filosofia na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Vivia me dando conselhos: não beba demais, não use drogas, estude, tenha um trabalho. Hoje, não sou muito de falar sobre isso, pois é doloroso. Lembro dele e tenho muita saudade, pois ele cuidava de mim. Na virada do ano, minha mãe estava aqui em casa e quando me abraçou para desejar feliz Ano-Novo, falou: ‘Tenho tanta saudade do seu irmão’. Disse para ela ter um pouco de paciência, pois um dia, todos vamos nos encontrar de novo.”
• K. M. de F. A., 58, aposentada, Rio de Janeiro (RJ)
“Meu filho Daniel tinha 25 anos quando se matou em casa com um tiro, no dia 23 de agosto de 2001. Morávamos eu, meu marido (hoje ex), minha filha de 15 anos e minha avó de 88 anos. O Daniel era fruto de um casamento anterior, mas foi criado pelo meu segundo marido, pois o pai biológico dele sempre foi ausente. Éramos uma família feliz. Daniel, no entanto, já havia tentado o suicídio antes, ingerindo remédios. Apesar de ser deprimido desde a infância, estava passando por acompanhamento com uma psicóloga e uma psiquiatra. Além disso, era recém-formado em Psicologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Isso nos dava uma falsa tranquilidade. Na hora em que meu marido ligou para avisar o que tinha acontecido, tive forças para tomar um calmante e consegui chegar em casa. Meu corpo ficou sem coordenação, como se eu tivesse tido um AVC. Do meu emocional, não sobrou nada. Nessa situação, você não encontra saída, pois a morte é a única coisa que não tem volta. Nos primeiros meses, às vezes, eu dava com a cabeça na parede de tanto desespero. Tive muito apoio dos meus irmãos, do meu cunhado, dos professores e dos colegas do curso de Direito que eu fazia. Eles não deixaram que eu trancasse a faculdade e me formei no final de 2001. Minha filha amadureceu dez anos em um com a perda e o trauma. Foi ela quem encontrou o irmão após o acontecido. Hoje, depois de mais de 14 anos, tenho momentos de alegria, mas a angústia da falta nunca passou. Perder um filho é perder a continuidade da sua família, perder todos os descendentes que poderiam vir, é perder o futuro, os netos e os bisnetos. Acho que o tabu a respeito do suicídio começa quando se fala em doença mental. No entanto, são problemas que acontecem em quase todas as famílias”.
• P. F., 44, empresária, Rio de Janeiro (RJ)
“Perdi meu pai Jorge há 20 anos, quando ele tinha 52 e eu 24. Ele foi até a casa da mãe dele, que havia falecido uns seis meses antes, ligou o gás do forno e fechou a cozinha. Ele era uma pessoa amorosa, presente, benquista por todos. Não era aparentemente depressivo, mas não falava muito sobre as próprias emoções, era reservado. Em 1995, me casei e fui morar em Santa Catarina. Três dias depois, recebi por telefone a informação de que ele tinha falecido. Por algum motivo, pude sentir isso. Meu ex-marido atendeu e perguntei para ele: ‘Meu pai morreu, não?’. Depois, soube pela minha mãe que, três dias antes do suicídio, ele estava mais recolhido, deitado e sem vontade de sair do quarto. Na noite em que tirou a própria vida, chegou a ligar para dois tios meus. Um deles era mais próximo, mas não pôde atendê-lo naquele momento. Jamais saberemos se a ligação era um pedido de ajuda. Eu me lembro de que no início tinha vergonha de falar a verdade na cidade pequena onde morava. Dizia que meu pai teve um infarto fulminante. Chorava dia e noite, foi muito difícil aceitar. Um dia, meu ex-marido falou: ‘O que posso fazer para não te ver triste desse jeito?’. E eu respondi: ‘Só queria dez minutos com meu pai, para dar um beijo nele e abraçá-lo’. Nesse dia, fui dormir chorando e sonhei com ele. Cerca de um ano depois, em uma noite de tristeza profunda, vi na TV uma propaganda do CVV (Centro de Valorização da Vida), entidade que oferece serviço gratuito de apoio emocional, feito por voluntários. Liguei e foi um alívio. Finalmente, falava com alguém que me ouvia de maneira neutra, carinhosa e respeitosa, sem me vitimizar, nem julgar. Alguns dias depois, voltei para o Rio e acabei me tornando voluntária também.”
• Alterações significativas na personalidade ou nos hábitos;
• Alterações súbitas de comportamento, como quedas de notas, mudanças de personalidade ou ações rebeldes, também podem ser sinais de aviso;
• Comportamento ansioso, agitado ou deprimido;
• Queda no rendimento escolar;
• Afastamento da família e de amigos;
• Mostrar tristeza excessiva e isolamento;
• Estar frequentemente triste e sem vontade para participar em atividades com os amigos ou fazer o que se fazia antigamente são alguns sintomas de depressão, que quando não tratada é uma das principais causas do suicídio;
• Normalmente, a pessoa não consegue identificar que está com depressão e acha apenas que não está sendo capaz de lidar com as outras pessoas ou com o trabalho, o que ao longo do tempo deixa a pessoa desanimada e sem vontade para viver;
• Perda de interesse por atividades de que gostava; • Descuido com a aparência;
• Além disso, como na maioria das vezes já não existe interesse pela vida, é comum que se deixe de dar atenção para a forma como se veste ou se cuida, utilizando roupa velha, suja ou deixando crescer o cabelo e a barba;
• Perda ou ganho repentinos de peso;
• Mudança no padrão usual de sono;
• Comentários auto-depreciativos recorrentes ou negativos e desesperançosos em relação ao futuro;
• Disforia (combinação de tristeza, irritabilidade e acessos de raiva);
• Comentários sobre morte, sobre pessoas que morreram e interesse pelo assunto;
• Doação de pertences que valorizava;
• Expressão clara ou velada de querer morrer ou de pôr fim à vida;
• Demonstrar calma repentina;
• Demonstrar um comportamento calmo e despreocupado depois de um período de grande tristeza, depressão ou ansiedade, pode ser um sinal de que a pessoa está pensando e decidida pelo suicídio. Isso acontece porque a pessoa pensa ter encontrado a solução para o seu problema, deixando de se sentir tão preocupada;
• Muitas vezes, esses períodos de calma pode ser interpretados pelos familiares como a fase de recuperação da depressão e por isso, podem ser difíceis de identificar, devendo ser sempre avaliados por um psicólogo, para garantir que não existem ideias suicidas;
• Fazer ameaças de suicídio;
• A maior parte das pessoas que estão pensando em suicídio irão informar um amigo ou familiar das suas intenções. Embora esse comportamento muitas vezes seja visto como uma forma de chamar a atenção, nunca deve ser ignorado, especialmente se a pessoa está vivendo uma fase de depressão ou de grandes alterações na sua vida;
• Existe um mito de que pessoas que falam em suicídio só o fazem para chamar a atenção e não pretendem de fato terminar com suas vidas. “ Isso não é verdade, falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda ”;
• Algumas das frases mais comuns ouvidas por ela foram “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer”. Então, se você ouvir um parente ou amigo falando algo do tipo, preste atenção;
• Os progenitores têm de estar atentos, prevenidos e acautelados, sobretudo se o jovem tem conduta autodestrutiva, fica dizendo que não vale nada ou que é um peso para os outros, e que preferia estar morto;
• Estudos e pesquisas já demonstraram que evidências irrefutáveis de muitos dos jovens que se suicidaram deixaram inúmeras pistas. Já haviam mencionado a uma ou mais pessoas que eles ou os outros estariam “melhor se estivessem mortos”. É um tipo de comentário que não deve ser ignorado;
• Desenhos ou pinturas de morte;
• Comportamento perigoso ou autodestrutivo;
• Comportamentos potencialmente perigosos, como dirigir de forma imprudente, praticar sexo inseguro e aumentar o uso de drogas e / ou álcool podem indicar que a pessoa não valoriza mais sua vida.
As táticas eficientes para prevenir o suicídio incluem o aperfeiçoamento da aptidão social e emocional dos jovens, tais como solucionar problemas, tomar decisões, lidar com a raiva, resolver conflitos e comunicar-se sem medo de se afirmar. Os pais têm os meios para ajudar os adolescentes a desenvolverem essas características e habilidades, como por exemplo:
1- Demonstrar que confiam no filho, fazendo-o participar das decisões em família.
2- Nutrir um relacionamento tranquilo e equilibrado, ensinando ao jovem por meio de exemplos concretos, como lidar com a fúria.
3- Difundir-se abertamente, procurando resolver os problemas em conjunto.
4- Oferecer oportunidade e incentivar o jovem a expressar suas opiniões e considerar as alternativas antes de tomar uma deliberação.
5-Afirmar-lhe que é importante, amado e levado a sério.
6-Garantir-lhe formalmente que nada vai afetar o amor e a aprovação paterna.
7- Buscar oportunidades para ensinar ao jovem como lidar com decepções e “fracassos.
Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação) ou 141 (nos estados da Bahia, Maranhão, Pará e Paraná), pessoalmente (nos 89 postos de atendimento) ou pelo site http://www.cvv.org.br, por do chat e e-mail. Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 2.400 voluntários, localizados em 19 estados mais o Distrito Federal.
Além dos atendimentos, o CVV desenvolve em todo o país, outras atividades relacionadas a apoio emocional, com ações abertas à comunidade que estimulam o autoconhecimento e melhor convivência em grupo e consigo mesmo. A instituição também mantém o “Hospital Francisca Julia” que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química em São José dos Campos-SP.
O CVV Comunidade disponibiliza diversas ferramentas para a sociedade: Grupos de Apoio aos Sobrevivente de Suicídio (GASS), destinado a pessoas próximas de alguém que cometeu o suicídio e àquelas que tentaram o suicídio; Caminho de Renovação Contínua (CRC), para reflexão e troca de experiências, Cine-SER CVV, exibição de filmes com comentários e reflexões, Curso Caminho de Valorização da Vida, no qual se busca o autoconhecimento por meio do compartilhamento de vivências do dia-a- dia, com dez encontros de duas horas cada; e Curso de Escutatória, que visa aprimorar as habilidades em ver, ouvir, falar e compreender, com foco no CVV Comunidade, incluindo palestras sobre vários temas, Semana de Valorização da Vida, eventos na comunidade (Sipat, Ações Globais, etc).
Para acompanhar os próximos eventos e grupos já existentes: CVV Comunidade Brasil ou escreva para cvvcomunidade@cvv.org.br. Caso queira mais informações sobre o tema: atendimento pessoal.
Pergunte de volta como pode ajudar. É muito equivocado achar que quem tenta se matar está querendo só chamar atenção. Aliás, é ótimo que eles chamem atenção. Prejudicial é tratar com desprezo. Se você não der atenção agora, vai se sentir culpado mais tarde por não ter atendido ao chamado de um ente querido. O que você mais ouve de quem quer se matar?
“ Eu não vou aguentar se algo acontecer ”. “ Se eu fracassar, não vou suportar” Ela começa a antecipar tudo o que ela imagina que de pior vai acontecer, porque não sabe lidar com situações de fracasso. Diante do desespero, num ato impulsivo, ela tenta o suicídio. Leve ameaças a sério.
Um dos grandes mitos sobre o suicídio está em pensar que quem vai se matar não dá sinais. Se alguém chega ao ponto de dizer algo do gênero, é porque tem algo errado. Portanto, diante de uma ameaça, coloque-se à disposição para ajudar essa pessoa. Não guarde segredos Principalmente entre os adolescentes, é comum que a pessoa que pensa em tirar a própria vida desabafe e peça segredo. Para ajudar a prevenir, o indicado é não se calar diante de uma ameaça de suicídio.
É preciso entender que, ao dividir o assunto com um adulto de confiança, por exemplo, você não estará expondo a pessoa, mas ajudando-a a sair da melhor forma da situação. No caso de adultos que receberem uma notícia como essa, o ideal é procurar um familiar que possa ajudar de maneira efetiva a encontrar um caminho.
Seja um bom ouvinte. Quando o assunto é suicídio e você se coloca à disposição para ajudar, o ponto principal é ouvir sem criticar e julgar. Eliane diz que quando o suicida tem a oportunidade de desabafar e sinalizar o sofrimento, a probabilidade de cometer o ato diminui. Deixe a pessoa falar o que sente.
COMUNICAÇÃO
Outra dificuldade é falar do assunto com jovens. Muitas vezes, estratégias que funcionam com adultos não têm o mesmo resultado quando usadas com adolescentes – e entre as peculiaridades desse grupo, está a forma como usa a internet e as redes sociais.
“ E a queixa da falta de escuta por parte de amigos e familiares tem sido cada vez maior entre jovens. Enquanto cresce a facilidade de se expor na internet de maneira superficial, aumenta na mesma proporção a dificuldade de comunicação real e s é ria. A gente ouve com muita frequência: ‘ Vou contar uma coisa que nunca disse a ninguém ”. A garantia de sigilo contribui muito para a confiança de pessoas de todas as idades que procuram auxílio do CVV.
Não, o suicídio não corre nas veias. Só que existem modelos de repetição de enfrentamento que são prejudiciais, é o que a gente chama de “transmissão psíquica geracional familiar”. Alguns comportamentos tóxicos da família se repetem. Se a gente não tiver plena atenção, entra num círculo vicioso. Cabe a cada um construir novas modalidades de responder às adversidades da vida.
EXISTEM CULPADOS?
De jeito nenhum. Como diz o filósofo Jean – Paul Sartre , “ nós somos aquilo que nós fazemos com o que o outro faz da gente ”. E esse foi um dos grandes problemas da série “13 Reasons Why”. A personagem principal fica culpando os outros por suas escolhas erradas e em nenhum momento exercitou a capacidade de enfrentamento. Mais grave ainda foi mostrar a maneira como ela se matou. Isso é grave.
PREVENÇÃO
De acordo com a OMS, é possível prevenir 90% dos casos se houver condições de oferecer ajuda. E, diferentemente do que apregoa o senso comum, discutir o problema é uma boa estratégia para combatê-lo.
O medo do chamado ‘ efeito Werther ’ , referência ao livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, publicado em 1774, costuma empurrar o assunto para debaixo do tapete. No enredo, o personagem dá fim à própria vida após uma desilusão. A novela teria originado um surto de suicídios de jovens em diversos locais da Europa.
PAIS
Assim, os pais podem (e devem!) falar sobre o assunto. Se não aparecer espontaneamente, ele pode ser introduzido de modo a deixar claro que certas coisas acontecem e que devemos conversar sobre elas. É possível dizer frases como: “ Algumas vezes, quando nos sentimos mal, pensamos que seria melhor não ter nascido ou que seria preferível morrer. Você j teve pensamentos desse tipo? ”.
É fundamental ouvir com atenção e respeito, sem julgamento ou censura e sem preleções morais ou religiosas. O importante é reafirmar a preocupação e o desejo de conversar e ajudar, mesmo que isso implique tocar em assuntos delicados. “ O adolescente deve ser acolhido, receber proteção e apoio e n ã o castigo ”. “É preciso respeitar a dor do outro. Muitas vezes, podemos achar a motivação banal ou desimportante, mas cada um sente e se angustia com as coisas de forma particular ”, continua.
Mesmo os casos que indicam baixa letalidade, como cortes superficiais na pele, automutilação, podem sugerir a ocorrência de tentativas futuras. “ Não se deve banalizar ou julgar a tentativa como recurso para chamar a atenção. Na vida conturbada de um adolescente, o ato precisa ser tomado como um marco a partir do qual se iniciam ações destinadas à proteção e à qualidade de sua vida, incluídas as de saúde mental ”, argumenta Botega . Após uma conversa, os pais devem avaliar se é o caso de encaminhar o filho a um profissional.
Jovens de 15 a 29 anos estão se matando mais. O assunto que ainda é tabu nas famílias, escolas e rodas de conversas informais cresce a passos lentos, mas de forma constante no Brasil. Segundo o “Mapa da Violência” divulgado em abril, entre 1980 e 2014, houve um aumento de 27,2% no número de suicídios dessa faixa etária. E chegando ao final de 2017, ano em que passamos pela “Baleia Azul” e séries como “13 Reasons To Why”, que trouxeram à tona o tema na esfera adolescente, a questão que fica é: por que pessoas que estão começando a vida querem acabar com ela?
Entre as causas e consequências do afastamento humano, está a tecnologia, que influencia fortemente a maneira como nos relacionamos. A terapeuta ocupacional e pós-doutora em saúde coletiva Fernanda Marquetti acredita que o suicídio é um produto do que acontece socialmente dentro de uma cultura. Se estamos tão tecnológicos, pode estar aí a resposta das mortes.
“Claro que esses jovens não estão se matando porque todos começaram a ter transtornos psiquiátricos. O mundo caminha para um esvaziamento cada vez mais profundo das relações, os adolescentes não conseguem se relacionar fora do mundo digital. As tentativas e os suicídios aparecem como expressões máximas dessa dificuldade“, fala a professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Se essa geração nasceu com a tecnologia e o contato é inevitável, precisamos de educação para lidar da melhor forma com ela. “ Estudos mostram que a busca pelo ‘ like ’ é tão viciante como droga, principalmente para o cérebro em formação, como é o caso do jovem até os 21 anos. E eles são menos capazes de racionalizar. Não é que todos sejam inconsequentes, mas há uma impulsividade maior “, afirma psicoterapeuta Karen Scavacini.
AUTOMUTILAÇÃO DIGITAL
A tendência entre jovens americanos de postar e compartilhar nas redes sociais mensagens abusivas sobre si mesmo de forma anônima já é preocupação para os especialistas no Brasil. Em um estudo recente com mais de 5 mil estudantes nos Estados Unidos, com idades de 12 a 17 anos, um em cada vinte revelou ter praticado a automutilação digital. “ Eles n ã o encontram o próprio lugar, precisam lidar com pressões sociais, rankings escolares … .. E o jovem não questiona o que v ê nas redes sociais. Quanto mais horas ele passa ali, vendo vidas perfeitas, maior a chance de depressão e suicídio. Fora a falta de interação, exercício físico, programas em família “, fala Karen .
Se você está lendo e pensando “que frescura”, o exercício deve ser o oposto. Tente se lembrar dos conflitos que você teve durante a adolescência. “ Não é para culpar alguém. Quando uma pessoa se mata, ninguém é responsável. Mas precisamos pensar que se relacionar por mensagem é muito pouco para sustentar uma vida. E são os adultos – que também estão influenciados por esse meio de viver – que precisam reverter essa forma de relacionamento “, argumenta Fernanda Marquetti . A rede vem sendo palco para grupos que não só romantizam o suicídio, mas exortam jovens a cometê-lo, usando a falsa ideia do desafio.
FALTA DE SENTIDO DE VIDA
“ Suicídio é a concretização da falta de sentido da vida, é o ápice de um processo de ‘ morrência ’ . Ele costuma ser cometido por alguém que est á definhando existencialmente, que deixou de acreditar em sua própria capacidade, como ser humano, de transformar a dor em amor ”.
DEPRESSÃO
A depressão é um fator comum aos suicidas? Não necessariamente uma pessoa que se mata é deprimida, apesar de existirem vários casos de pessoas que tinham depressão e se mataram. Quando isso acontece, é que elas perderam o sentido de viver.
GRUPOS DE VULNERABILIDADE
A comunidade LGBT, as vítimas de violência doméstica e aqueles diagnosticados com doenças mentais. Ou seja, grupos que não têm suas dores legitimadas nem espaço para expor suas vozes e se defenderem.
PRESSÃO
Entre os jovens que cometem suicídio, está o grupo que tem de 15 a 24 anos. “É um período que inclui adolescência, problemas amorosos, entrada na faculdade, pressão social pelo sucesso … Depois dos 25 anos, j á é um jovem adulto, as preocupações mudam.”
O youtuber Felipe Neto, que há 10 anos foi diagnosticado com depressão, fala como é passar por esse desafio, como ele mesmo diz, “Depressão é o mal do século no mundo inteiro. A sua dor é legítima. O seu sofrimento é real e legítimo. Ninguém pode dizer que não é”.
O digital influencer fala abertamente sobre seus desafios com a depressão, e dá amparo a todos aqueles que passam por essa situação, além de tratar seriamente do assunto, ele ainda responde comentários a respeito. Para assistir ao vídeo abaixo:
Se você é aquela pessoa que sofre com depressão e com pensamentos suicidas, não sofra sozinho e calado, procure ajuda! Ligue no 141 ou 188 para encontrar ajuda.
Se você é aquela pessoa de banaliza a dor e o sofrimento de outras pessoas, o que você acha de fazer uma visitinha àquelas instituições que fazem atendimento e acompanhamento psicológico e psiquiátricos a pacientes nessa situação, como o CVV (Centro de Valorização a Vida) mais próximo de sua casa, e saiba como e realizado o atendimento, e encare essa doença como ela precisa ser encarada, como ASSUNTO SÉRIO!
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A história da busca incansável de um roedor pela felicidade e realização, pode explicar o porque milhares de pessoas no mundo inteiro, desistem da vida, quando descobrem que o caminho que trilham em direção a felicidade não é verdadeiro.
Música: ‘Habanera’ por Bizet ‘Morning Mood’ por Edvard Grieg (www.stevecutts.com): A felicidade não é realmente conseguir dinheiro, ou carros de luxo e casas enormes ou usar drogas. A felicidade já está em nós. Conhece a ti mesmo. Procure dentro, então toda a bondade seguirá. Mas nós sempre tendemos a buscar a felicidade sem, em circunstâncias externas e coisas, não percebendo que eles não serão suficientes e que eles passarão, ou você passará sem eles.
Estamos sempre desejando algo fora de nós para preencher o vazio interior que temos, que é apenas um resultado da ignorância / não conhecer a si mesmo. Há algo em todos nós que é além do valor, que está além de todas as riquezas e tesouros do mundo. E essa é a sua essência / alma / psiquê. É a essência do próprio Deus. De tudo isso vem a bondade e a felicidade.
Nós olhamos para fora para sermos felizes, porque não nos conhecemos. Queremos que as coisas, as circunstâncias aconteçam, o elogio e a fama de outras pessoas, etc., pensando que, de alguma forma, nos farão algo mais do que nós mesmos. O perigo dessa busca externa é que como no mito da psiquê e Cupido ou “Branca de Neve”, adormecer. Psiquê (que literalmente significa Alma em grego) adormece quando ela abre a caixa (materialismo). O mesmo acontece com “Branca de Neve” comendo a maçã (que também simboliza o materialismo). Nossa alma adormece quando nos deixamos escravizar aos nossos desejos e a quaisquer pensamentos e emoções discursivas!
O comportamento suicida se divide em 3 fases: pensar em suicídio, tentativa de suicídio e consumação do suicídio.
NA ADOLESCÊNCIA
O suicídio na adolescência é o ato de um jovem entre os 12 e os 21 anos tirar a própria vida. Geralmente ocorre porque a adolescência é um período de transição, de transformações e de inúmeros conflitos internos e por isso existe um maior risco de depressão, transtorno bipolar e de ceder a pressões impostas pelos outros ou pela sociedade.
O jovem que pensa um tirar sua vida, acredita que não existem soluções para os seus problemas e normalmente dá sinais de um desequilíbrio emocional, mas que podem passar desapercebidos por familiares e amigos. O Analityc Scholl ajuda muito na descoberta desses sinais. No entanto, existem alguns sinais que podem indicar que o adolescente está pensando nessa possibilidade.
MOTIVOS
Quem tem adolescente em casa sabe: eles são os mais inclinados ao imediatismo e à impulsividade. Como ainda não atingiram a plena maturidade emocional, têm mais dificuldade para lidar com situações estressantes e frustrações – o que torna os pensamentos suicidas mais frequentes nessa população. Na maioria das vezes, porém, eles são passageiros, não indicam psicopatologia ou necessidade de intervenção.
Diferenciar reações consideradas normais de sinais de alerta de que algo grave está por acontecer pode ser extremamente difícil. “ Quem pensa em suicídio est á passando por um sofrimento psicológico e não vê como sair disso. Mas não significa que queira morrer. O sentimento é ambivalente: a pessoa quer se livrar da dor, mas quer viver. Por dentro, vira uma panela de pressão. Se ela puder falar e ser ouvida, passa a se entender melhor ”
“É importante também entender que não existe uma causa única para o suicídio. Pais tendem a querer explicar esse fato muito complexo de forma simples. É preciso saber que ele é multifatorial” , orienta. Ou seja: não é só o bullying ou só a pressão para as provas que podem levar um jovem a considerar se matar, mas um conjunto de fatores que devem ser observados. Entre os jovens que cometem suicídio, o grupo tem de 15 a 24 anos. É um período que inclui adolescência, problemas amorosos, entrada na faculdade, pressão social pelo sucesso… Depois dos 25 anos, já é um jovem adulto, as preocupações mudam, já são mais relacionadas a emprego.
MUITO CUIDADO COM A MENSAGEM
Para o psiquiatra especialista em educação, Celso Lopes de Souza , a ideia de que o suicídio teve uma causa única e pode trazer uma mensagem é perigosa. “Essa ideia de que a morte foi um exemplo, um mito, uma forma de protesto, acaba sendo uma abordagem inapropriada e pode influenciar outros jovens vulneráveis.”
É um processo? Salvo os casos de impulsividade, que acontecem em menores proporções, o comportamento suicida passa pelo pensamento, ideação (concepção da ideia), planejamento e só então chega ao ato.
BULLYING
O bullying no ambiente escolar é dos principais elementos associados ao suicídio. “ Pessoas que seguem qualquer padrão considerado pela maioria da sociedade como desviante, seja o tênis diferente, a cor da pele, o peso, o cabelo ou a orientação de gênero, são hostilizadas continuamente e entram em sofrimento psíquico ” , afirma Estelita , professora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, ligado à Fiocruz.
INTERNET
Mais uma vez, o alerta especial vai para o uso da internet. Muitas vezes o jovem fica muito tempo na internet e os pais não sabem o que ele anda vendo ou com quem está falando. Caso você mesmo seja uma daquelas pessoas que passam horas e horas em frente a TV ou de uma tela de computador, é melhor começar a se preocupar! Um estudo realizado pela Universidade Estadual da Flórida fez uma revelação importantíssima. Ele mostrou que jovens que passam muito tempo navegando pela internet ou vidrados nas telinhas apresentam um maior risco de incidência de depressão e tendências suicidas.
A pesquisa analisou jovens de diferentes idades e os resultados foram preocupantes. Quase 48% dos participantes que passavam mais de 5 horas conectados a aparelhos tecnológicos apresentarem sinais de comportamento suicidas. Já entre os jovens que passavam menos horas, apenas 28% apresentou algum desses sinais.
“Existe uma relação preocupante entre tempo de uso de aparelhos eletrônicos e risco de morte por suicídio, depressão, ideação suicida e tentativas de suicídio ” . Os pesquisadores tentam alertar com o estudo especialmente os pais. Eles são os principais responsáveis por regular as horas que os filhos passam conectados a esses meios. Para o pesquisador é utópico desejar que elas não usem mais qualquer aparelho eletrônico. Na sociedade em que vivemos é quase impossível se desconectar completamente. Especialmente as novas gerações que já vem treinadas para fazer proveito dessas novas tecnologias.
Entretanto, cabe aos responsáveis pela educação da criança, controlar e fazer com que os “baixinhos” não fiquem tão dependentes. Incentivar desde a infância atividades que promovam esse “estar desconectado” é fundamental. Ainda mais em um mundo em que a depressão e o suicídio estão fazendo milhões de vítimas todos os anos. Lembrando que o estudo não comprova que a causa da depressão e do suicídio sejam motivados pelo uso dos aparelhos. Porém ele faz uma ligação entre esses dois fatores tão presentes no nosso cotidiano.
CONTÁGIO
Um fator de risco que despontou em pesquisas recentes é o suicídio por contágio, um processo pelo qual a exposição do suicida ou do ato suicida, de uma ou mais pessoas, influencia outras a cometerem ou tentarem cometer o suicídio.
Evidências sugerem que o efeito do contágio não está restrito a suicídios que ocorrem em uma área geográfica delimitada. Em particular, as reportagens realistas e a cobertura televisiva do suicídio têm sido associadas com um aumento de suicídios estatisticamente significante. O efeito contágio parece ser mais forte entre adolescentes e principalmente em grupos mais expostos à internet. Essas constatações têm levado muitos especialistas em prevenção do suicídio, profissionais da saúde pública e pesquisadores a lutarem para restringir ao mínimo os relatos sobre o suicídio – especialmente o suicídio de jovens – em revistas, jornais e televisão. É ideal que pais e a escola falem do assunto, pois podem acontecer suicídios por contágio.
APLICATIVOS
Muitas pesquisas também reforçam que as redes sociais também são um combustível para o bullying virtual. Aplicativos e jogos como o “Baleia Azul” e “Sim Simi” também já estão nas rodas de conversas dos pais.
Na contra partida existe um app “do bem”: o CÍNGULO é um aplicativo gratuito voltado para quem faz apoio ou terapia psicológica. Ele ajuda a exercitar o importante conceito da valorização pessoal, combatendo os efeitos negativos da baixa-autoestima com textos, áudios e formulários que você pode ou não querer preencher. As sessões são diárias, o que evita que você queira ver tudo de uma vez e depois nunca mais abrir o app .
A ideia é que você utilize-o uma vez por dia, com sessões de cerca de cinco minutos cada. A ideia da ferramenta, é possibilitar sessões simples e práticas de terapia individual a qualquer um e em qualquer lugar. As técnicas se dão através de textos, vídeos, áudios, esquemas e perguntas interativas para reforçar a confiança do usuário. São técnicas que vêm de diversas linhas de psicoterapia para tornar o processo mais interessante, dinâmico e eficaz, contam os criadores. Para o lançamento do app , foi feita uma extensa pesquisa com mais de 5 mil pessoas para saber as principais aflições e dores advindas da autoestima frágil. Os respondentes ainda nortearam a equipe quanto as técnicas que gostariam de ver num aplicativo.
REDES SOCIAIS
A psicoterapeuta Karen Scavacini , autora do livro “ E Agora? Um Livro para Crianças Lidando com o Luto por Suicídio” (AllPrint Editora), fala que a dependência de redes sociais expõe o jovem ao cyberbullying . Aquela humilhação que antes era restrita ao ambiente escolar, agora não tem mais controle, ocorre via celular, computador e 24 horas por dia. “ O bullying tinha um rosto. Hoje, qualquer um fala o que quer porque est á protegido pelas telas. Existe uma manipulação muito maior, sem noção alguma das consequências e por pura malda de “. Muito importante portanto,os pais ficarem atentos ao distanciamento familiar causado pela tecnologia e o tempo de exposição a ela.